quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

3 sentidos .

O que mata mais é não ver, não ouvir, não falar. Por mero acaso, eu vejo, ouço e falo, mas nada disso me serve. Passo os dias sentados num banco de jardim aqui da minha cidade e vejo as pessoas a falar, a sorrir, a gritar de entusiasmo e de felicidade, eu cá sou uma espécie de espectadora, que veio para ver, apenas ver. Passam por mim com o medo de verem o seu futuro e a sua velhice em mim, já que eu sou para todo o mundo o reflexo do silêncio, da solidão e do desprezo. Morrer não morro, mas também só porque ainda vejo, ouço e falo, e agradeço não me faltar nenhum dos sentidos, o que já é bom. Eu vou sendo, com o passar dos dias cumplice daquele jardim, conheço todos os passos, todos os hórarios de grande movivento e os de grande tensão. Já sou uma figura e um monumento desta cidade, não é bom?

2 comentários:

  1. Pronto, até é melhor pois gosto mais de nao ter "regras" a falar. E os meus textos sao te todo vulgares, julgo eu.

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